UM QUADRO PREVISÍVEL

HABILIDADE É PALAVRA DE ORDEM

No pragmatismo do mundo em que vivemos, as noções da habilidade, da cortesia e da cordialidade parecem superadas pela busca de resultados em curto prazo. E isso para ganhos financeiros ou políticos. Nada mais errado. Vivemos esta crise pela correria das ganâncias, em que a busca de resultados atropela valores enraizados na cultura do povo. Todos os que fazem o jogo do curto prazo, impulsionados por ambições sem respaldo na ética, na moral, no bom convívio com aliados, com sócios, com a sociedade, gozam de um momento de sucesso e, depois, amargam o preço de um equivocado pragmatismo.

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HABILIDADE É PALAVRA DE ORDEM

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

        No pragmatismo do mundo em que vivemos, as noções da habilidade, da cortesia e da cordialidade parecem superadas pela busca de resultados em curto prazo. E isso para ganhos financeiros ou políticos.
                
       Nada mais errado. Vivemos esta crise pela correria das ganâncias, em que a busca de resultados atropela valores enraizados na cultura do povo. Todos os que fazem o jogo do curto prazo, impulsionados por ambições sem respaldo na ética, na moral, no bom convívio com aliados, com sócios, com a sociedade, gozam de um momento de sucesso e, depois, amargam o preço de um equivocado pragmatismo.

       Habilidade é sagacidade, agilidade, mas com base na ética, na educação e na cordialidade. Não pode ser hábil quem pretende impor a qualquer preço sua vontade, de forma totalitária ou como criança mimada.

      O centenário de Tancredo Neves demonstra o valor da habilidade, do pragmatismo, de quem soube tecer, com paciência e generosidade, seus caminhos políticos. Combateu o regime militar, mas nunca ultrapassou os limites da realidade política em que vivíamos, deixou eventuais opositores esgotarem seus esforços e aguardou o seu momento, que obedecia a uma solução natural. Foi com habilidade e ética que Tancredo ganhou o Palácio da Liberdade e, depois, o do Planalto. Não brigou com a realidade como, em 89, Ulisses Guimarães, na desastrada e humilhante aventura eleitoral.

     Agora, na sucessão que se avizinha, podemos assistir a um duelo de inábeis, em que o resultado penderá naturalmente para quem não impôs sua candidatura no melhor estilo da República Velha. Uma das candidaturas sai de uma liderança inconteste e a outra, de uma trama de controladores de uma legenda, no estilo implantado no MDB do Rio no tempo do sr. Chagas Feitas – hoje um nome que nada significa para as novas gerações e lembrado com desprezo pelos que viveram aqueles anos.

    Na vida empresarial, a mesma coisa acontece. Recentemente, o sr. Benjamim Steinbruch, um jovem e atirado empresário, que aumentou o legado de sua família, mas que atuou sempre solitário, autoritário, perdeu uma disputa simplesmente em função da avaliação de sua personalidade. Acompanhei, por acaso, em Portugal, que a repulsa era ao personagem e não as propostas por ele feitas. Sua atividade em Portugal, na Lusosider, já mostrou se tratar de homem empreendedor e trabalhador, mas de dificílimo trato. O mundo mudou. E ele não percebeu.  Como o candidato que se anuncia na oposição está cego pela ambição e pela vaidade, fora da realidade política do país. Hoje, nada se constrói sem alianças e estas para funcionarem devem ser feitas em clima de confiança.

     É uma pena que em função destas personalidades tidas como “difíceis” – que nada mais são do que desprovidas de habilidade –, o Brasil esteja marchando para perder a oportunidade de transformar esta ilusão de que chegamos lá, como se diz na linguagem popular. Não chegamos, infelizmente. Nem chegaremos com essa democracia de candidaturas impostas, que, no fundo, tem a mesma origem e os mesmos sentimentos, com raízes na esquerda, quando poderíamos debater outras teses e ideais, especialmente aqueles que priorizam de forma realista e não ideológica os rumos políticos e econômicos da Nação. Nem muito menos com empresários que só aspiram ser sócios do Estado e jogar com as amizades políticas, mudando de protetores na proporção em que mudam os governos. Ontem era o filho do próprio presidente; hoje, o senador de prestígio no governo. As coisas não são assim tão claras como parecem. Existe uma coisa que se chama conceito. Vamos mesmo regredir para os ideais de Allende no Chile ou de Marighela no Brasil, confiando apenas na fé de que Deus é brasileiro e dará uma solução a situação?

     O centro tem de estar numa das chapas , com Kátia Abreu, por exemplo ,  que seria, aliás, um grande nome para a sucessão .


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