O mundo comemora os 80 anos de uma personalidade que não pode nem deve ser esquecida. Um dos autores dos maiores eventos políticos e econômicos do final do século passado, Mikhail Gorbachev é, com Margareth Thatcher, o único vivo e atuante. A Dama de Ferro está muito doente e parece que sem consciência.
Nesses novos tempos de mudanças, da busca da democracia, do progresso social, mas ainda no escuro, para que as alterações não caiam no vazio do poder e no radicalismo com violência, cresce a admiração dos que acompanham a evolução do mundo pelas grandes figuras, como Ronald Reagan (estamos no ano de seu centenário) e João Paulo II, que será beatificado em maio próximo. Nada, entretanto, teria acontecido em paz não fosse a política de abertura promovida por Gorbachev, que percebeu o esgotamento do regime leninista-estalinista que vigia na esfera da então União Soviética.
A partir da emblemática queda do muro de Berlim, a China começou a acelerar suas reformas econômicas para se transformar neste fenômeno. E agora, inevitavelmente, mais dia menos dia, terá de abrir o regime político, ainda totalitário e cúmplice de algumas aberrações do mundo em que vivemos, como Coréia do Norte, Cuba e Venezuela.
A linha que nega o peso da personalidade de homens que o destino alçou a cargos decisivos está ultrapassada. É claro que foi o talento genial de Napoleão que colocou um ponto final na baderna em que havia se transformado a França, que passou mais de uma década em permanente banho de sangue. O mundo não teria passado o que passou com as conquistas alemães dos anos 39 a 45, não fosse a inexplicável presença no poder, e com liderança, de uma personalidade deformada como Hitler. Na verdade, a rica e culta Alemanha teve o seu Kadafi, que só não era ladrão. Mas sob todas as demais suspeições, como a sua saúde mental e comportamental.
Na própria Segunda Guerra, não fosse o talento e a força da presença de Winston Churchill, o pós-guerra teria sido mais catastrófico ainda, com a dominação soviética na Europa, onde o comunismo tinha sólidas bases na Itália, França e Espanha. A debilitada Inglaterra salvou o mundo, com sua força moral, diante dos Estados Unidos sob forte influência de esquerda e simpatias pelo comunismo na corte de Franklin Delano Roosevelt, a começar pela sua mulher. Churchill “inventou” uma reação francesa à ocupação alemã, sabidamente bem recebida em todo seu território e não apenas na zona sob o governo do Marechal Petain. Assim, conseguiu evitar que a Europa trocasse as patas de Berlim pelas de Moscou. Nesses dias de folia, quem não for do ramo pode ir à estante e reler alguma coisa sobre o século passado e seus grandes homens.
Agora, com o que se passa no Oriente, o fenômeno asiático da China, Japão (recuperando-se da crise), Coréia do Sul, na vanguarda da tecnologia e a crise na economia e na política americana, vamos iniciar uma nova era, infelizmente ainda sem lideranças positivas definidas. Esta é a grande preocupação. História, progresso e paz se constroem com grandes homens.
Por isso é bom lembrar que o Brasil é o Brasil que temos graças a seus grandes homens, em momentos históricos. Desde D. João VI, D. Pedro I , D. Pedro II – passando pela safra de nobres notáveis como Duque de Caxias, Marquês de Tamandaré, Barão de Mauá, Barão do Rio Branco, Marquês do Paraná e Marquês do Sapucaí, entre outros. Depois, na República, o avanço com Getúlio Vargas e o Estado Novo, o desenvolvimento e o acreditar no Brasil com JK, a ordem e o progresso com os militares, a transição sob controle com presidente Sarney – e o apoio firme do General Leônidas Pires Gonçalves –, a abertura econômica com Fernando Collor e a melhor distribuição da renda com Lula. A presidente Dilma tem muita gente em quem se mirar.
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