A DECISÃO DE AÉCIO

JUÍZO BRASIL

É que estamos vivendo um momento muito pouco ético, justo e solidário. A corrupção é endêmica e até as vítimas dos achaques são cúmplices na medida em que não esboçam uma legítima reação. Este estado de coisas abre oportunidades para que aqueles que têm o dever e a função constitucional de defenderem a lei e preservarem o interesse público engrossem a corrente da venalidade. Estado sem Polícia, sem Justiça e, portanto, sem a quem recorrer. São muitos e conhecidos os casos de desvio de conduta entre policiais e magistrados. E tudo continua na mesma.

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JUÍZO BRASIL !!!

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

        

   Nesta semana em que se vive dias de esperanças e sonhos  , não custa nada  lembrar que o Brasil anda assumindo posições temerárias em relação a seu passado. Afinal, sua história tem uma formação tão fortemente cristã que seu primeiro nome foi “Terra de Santa Cruz”.

    É que estamos vivendo um momento muito pouco ético, justo e solidário. A corrupção é endêmica e até as vítimas dos achaques são cúmplices na medida em que não esboçam uma legítima reação. Este estado de coisas abre oportunidades para que aqueles que têm o dever e a função constitucional de defenderem a lei e preservarem o interesse público engrossem a corrente da venalidade. Estado sem Polícia, sem Justiça e, portanto, sem a quem recorrer. São muitos e conhecidos os casos de desvio de conduta entre policiais e magistrados. E tudo continua na mesma.

    No Legislativo, o deputado Ciro Gomes, que por vezes não controla seu temperamento explosivo, foi muito oportuno ao reclamar numa das últimas sessões do Congresso do estranho poder de parlamentares que não fazem por merecer o respeito e muito menos a admiração de seus pares. Disse e a imprensa, anestesiada, não repercutiu.

  No campo do exercício democrático, entramos dentro de dias num ano eleitoral, com uma legislação viciada, que cria privilégios em partidos que fogem ao modelo mais respeitado no mundo, das prévias internas, para a criação de candidaturas artificiais. Como se o povo fosse desprovido de sensibilidade para discernir. O mais provável é que o eleito não seja nem um nem outro dos nomes apontados em pesquisas imperfeitas. Nestas, não se informa quanto a rejeição e grau de conhecimento do candidato por parte do eleitor. E muito menos se considera o valor das alianças e da divisão do tempo na televisão.

  Também o fato de o Brasil estar na moda entre analistas internacionais, alvo de especulação financeira perigosa, nos faz pensar que não estão observando nossas despesas no custeio da máquina pública ou as simpatias com figuras exóticas, como é o caso dos dirigentes do Irã, Venezuela, Bolívia e Equador. Isso sem falar de Cuba.

  Não se protesta contra o adiamento de uma obra da importância de Belo Monte por mera ação irresponsável de funcionários encarregados do licenciamento ambiental. O projeto existe há mais de dez anos. Foi revisto e é considerado tecnicamente impecável sob o ponto de vista econômico e ambiental. Mas se permite que a turma do atraso impeça e adie indefinidamente uma obra dessa importância. A carga fiscal nas folhas de pagamento ainda vai aumentar, estimulando a economia informal que está entre as maiores do mundo. E nada disso inspira confiança.

  Vivemos um cerco a iniciativa privada nunca visto na nossa história. Invasões de propriedade produtivas rurais, acusações levianas a empresas e empresários, impostos cobrados de maneira draconiana, avanço da presença estatal no crédito – ponto sagrado para as esquerdas em todo mundo. E ainda o sentimento de fragilidade face a um Judiciário que penhora os recursos da folha de pagamento do pequeno ou médio empresário para garantir um direito duvidoso – por se tratar de casos em primeira instância –, apesar de o Congresso ter aprovado projeto do deputado José Carlos Aleluia que isentava desta penhora empresas de até cem empregados. O projeto foi vetado e ficou por isso mesmo.

  Se não tomarmos juízo, essa história de crescimento econômico se tornará mais uma frustração para o povo, e em especial para a elite mais culta, trabalhadora e responsável do Brasil. Afinal, será mais uma oportunidade perdida, por falta de coragem, de civismo, daqueles que estão abrindo mão do poder que ainda possuem diante de uma máquina que a todos e a tudo querem destruir. E não seria caso isolado no mundo que vivemos.

  Os votos de Feliz Ano Novo  para os que encaram a festa como ela é, da esperança , da família e da cristandade. E com mais dignidade para os que sabem que as coisas estão perigosamente erradas e estão acovardados, omissos e até mesmo coniventes.


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