Agosto é rico em nossa história em datas que nos reportam a grandes exemplos e marcantes momentos da vida nacional. Mas duas figuras especiais são lembradas ao longo do mês: Duque de Caxias e Getulio Vargas. Ambos são verdadeiras referências da nacionalidade. Colaboraram de maneira efetiva para sermos a nação que somos, na sua unidade territorial, na construção de uma trajetória digna e com resultados efetivos nas bases da sociedade próspera e justa que pretendemos, com liberdade e honra.
O Dia do Soldado nos reporta a figura exemplar do Duque de Caxias, o brasileiro completo, notável como militar que pacificou, com grandeza, movimentos que poderiam ferir a unidade nacional. Esteve no comando de nossas forças na Guerra do Paraguai, que, ao longo de cinco anos, custou muitas vidas e muitos sacrifícios ao Império. Estadista chefiou o governo em momento delicado, tendo a gratidão do Imperador Pedro II. Ilustrou ainda o Senado do Império com sua atuação. Muitos brasileiros atribuem à presença militar em momentos de gravidade na vida nacional ao legado do grande Patrono do Exército do Brasil, que soube agir com competência e espírito público em questões internas e externas. É que, muitas vezes, o inimigo da nacionalidade está entre nós, levado geralmente por equívocos ou por uma deformação de caráter.
No último século, quem marcou a vida nacional, agiu com extraordinária visão política, social e do que se passava no mundo foi Getulio Vargas. Devemos a ele o processo de valorização do trabalhador brasileiro, indo buscar inspiração no que existia de novo e positivo no mundo, em especial na Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII e na Carta do Trabalho da Itália, com a colaboração de Lindolfo Collor. Formou quadros para o serviço público, através do DASP, confiado a Simões Lopes.
Getulio manteve o Brasil afastado dos radicalismos que marcaram os anos 30 até o final da Guerra Mundial, através da implantação do Estado Novo, inspirado e apoiado no que havia de culto em nosso país. E partiu para o programa de desenvolvimento, com Volta Redonda, o açude de Orós – sonho de Pedro II –, as primeiras estradas e as bases de todo nosso processo de industrialização, que tocou no seu último mandato, quando voltou ao poder nos braços do povo. Criou o BNDES, com Roberto Campos, e a Petrobras, com o relatório de Bilac Pinto e presidência de Juraci Magalhães. Teve no Ministério da Justiça, então pasta da coordenação política, dois notáveis mineiros em Negrão de Lima e Tancredo Neves. Sem falar na presença sempre positiva do amigo Oswaldo Aranha, um dos grandes brasileiros de seu tempo. Além deste legado consistente, deixou o exemplo da austeridade, da dignidade, da família correta e distante dos negócios públicos.
É bom lembrar gente como Caxias e Getulio. No entanto, sendo que este último, por estar mais presente na memória popular, muitas vezes tem seu nome usado e abusado por gente menor, longe daqueles acima citados e outros do mesmo nível que formaram sua equipe de gestão política e administrativa do Brasil por décadas.
O trabalhismo de Vargas, o PTB, o de ontem e até mesmo o de hoje, não pregava a desunião do capital e do trabalho. Muito pelo contrário. Prova está nos numerosos empresários que estiveram na legenda e na criação do admirável sistema S, com as confederações patronais.
Vem aí uma nova geração, que, pelo sentimento público despoluído, saberá julgar e honrar o legado de gente que merece nossa admiração. |