LEMBRANDO UM GRANDE CARIOCA Mário Saladini

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LEMBRANDO UM GRANDE CARIOCA

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

     Mário Saladini, que esta semana teria completado 96 anos, mas que nos  deixou há dois, como bom carioca, nasceu fora do Rio, em São Paulo.  Foi das figuras mais marcantes da vida da cidade, sempre alegre, do  bem, como se diz hoje. Foi deputado estadual três vezes, no PTB de Getulio Vargas, de quem tanto gostava. Teve várias missões no  exterior, nomeado por JK. Lembro a sua figura com saudade, pois fui seu amigo.

    Saladini, quando diretor de Turismo da Prefeitura, na gestão Sá Freire  Alvim, no tempo do Rio capital federal, em 1959, lançou a ideia de se  pintar as casas das favelas cariocas, colorindo os morros. Tinha visto  algo parecido em Caracas e achava que daria um certo charme às  habitações e os turistas iriam gostar. O assunto foi polêmico, ganhou 
o noticiário dos jornais e, logo no carnaval seguinte, em 60, uma das  músicas mais populares foi a Favela Amarela, de Jota Junior e Oldemar  Magalhães, cantada por Araci de Almeida.


    Saladini formou no alegre grupo que se autodenominava clube dos  cafajestes, mas era composto pelo que havia de melhor no Rio, com Carlos Niemeyer (do Canal 100), Mariozinho de Oliveira, Ibrahim Sued e  até um príncipe, D. João de Orleans e Bragança. Ninguém mais carioca  do que Saladini, que até uma semana antes de morrer, em setembro de  2009, despachava numa mesa da Pizzaria Guanabara, em frente a sua casa. E, às quintas-feiras, tinha um almoço para os amigos que  aparecessem, como frequentemente era o meu caso.


Agora as favelas estão sendo pintadas, Rocinha, Santa Marta e outras,  bonitas e elogiadas, mostrando que a irreverência dele tinha sentido  prático. O prefeito Eduardo Paes poderia dar o nome de Mário Saladini  a alguma coisa numa destas comunidades. Ele, inclusive, era votado nas favelas da Zona Sul do Rio. Que bom relembrar este autêntico carioca!

 

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