A euforia tomou conta de alguns setores da sociedade, que vivem, nessa pós-quaresma, um clima de carnaval. Os números externos são preocupantes em nossas contas, a economia externa ainda não definiu seus rumos nos próximos anos, o câmbio torna nossos produtos cada vez menos competitivos. E estamos abrindo nosso mercado ao etanol de fora quando deveríamos promover a produção local para a obtenção de excedentes exportáveis.
Com a certeza de que a sociedade está alegre e contente, os projetos de infraestrutura andam a passo lento, as reformas esquecidas, o controle sobre os gastos negligenciados, o viés totalitário da fiscalização minimizado. Enquanto isso, a impunidade alimenta os novos escândalos.
O Brasil que produz anda desamparado, desprotegido. Só funciona por algumas iniciativas locais e pela teimosia empresarial. Ainda não estamos captando investimentos. O dinheiro que entra é na especulação de mercados financeiros, em empréstimos; não em ativos fixos. Estes estão sendo vendidos.
Os dois principais candidatos na corrida presidencial são omissos em relação ao papel do empreendedor, do investidor na produção, na proteção à propriedade, a ordem social e segurança jurídica. O que se vê é o Congresso guardar esqueletos perigosos, como a adesão à mofada resolução da OIT de garantia do emprego, a diminuição das horas semanais, a licença “paternidade” e outras aberrações num mercado que deseja emprego e num país que precisa de trabalho.
O otimismo é fator positivo na vida das pessoas e dos povos. Acreditar é meio caminho para realizar. Mas, hoje, tudo que é positivo aguarda acontecer lá na frente, sendo exemplo maior a questão do pré-sal, que depende de muito dinheiro, muita tecnologia e muito tempo. E já estão pensando em tornar a produção inviável, alterando o contrato de concessão para um contrato de partilha, que não andará. Tem gente que não se dá ao trabalho de ler jornais e saber, por exemplo, que os EUA dobrarão seus investimentos na busca do óleo, assim como a Rússia. Para já e agora são necessárias as reformas, obras como a Cuiabá-Santarém, Belo Monte e o aproveitamento do Tapajós, portos e aeroportos ampliados..
O que nos oferece um clima de esperança é que o debate nacional se torna mais amplo. Caso mantenhamos a plenitude da democracia, daqui para frente poderemos ter uma política mais plural. A oportunidade oferecida por um canal fechado de TV a que os militares falassem repercutiu favoravelmente, sendo de se notar a lúcida entrevista do General Leônidas Pires Gonçalves, de 88 anos, mas com o entusiasmo e a bravura de um capitão.
A sociedade que não comunga com ideias de esquerda precisa estar mais atenta. Menos omissa e mais responsável.
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