O Brasil possui um mercado editorial que cresce, com os lançamentos se multiplicando. Nas capitais, já temos livrarias de primeiro mundo; no interior, a atividade literária é ativa nas academias regionais, nas pequenas edições que as impressoras modernas permitem. Os “sebos”, que vendem livros de segunda mão, de coleções desfeitas, obras raras, se multiplicam em função de um público sofisticado e interessado. Temos autores e leitores.
Apesar de tudo, as editoras vivem sob uma estranha tutela ideológica, se constituindo em um dos últimos redutos da intolerância esquerdista. São muitos os exemplos desta má vontade com tudo o que tenha alguma coisa que desagrade as esquerdas. O Grupo Ediouro, que tem marcas do peso da Nova Fronteira, adquiriu os direitos de uma biografia consagrada internacionalmente de Mussolini, escrita por Pierre Milza, cuja tradução foi entregue ao general Gleuber Vieira, que, inclusive, possui laços de parentesco com acionistas da empresa. Pois bem, o livro chegou a constar da lista de uma coleção da editora e depois sumiu. Na França, foi sucesso na Fayard, casa de grande prestígio. Tem uma edição primorosa em Portugal, da Verbo.
O general Francisco Franco, que marcou a vida da Espanha no século passado e restaurou a monarquia, cujo titular foi ele quem escolheu e educou, tem outra biografia de sucesso internacional, esgotada em Portugal, da mesma Fayard francesa. Mas neste Brasil, com tantas ligações com a Espanha, nenhuma curiosidade sobre o Caudilho e seu tempo. E a autora nem é simpática ao biografado; é apenas correta.
O sucesso internacional de A Arte de Bem Governar, de Margareth Thatcher, teve uma modesta edição da brava Biblioteca do Exército Editora. E as memórias da Dama de Ferro nem se cogitou, como se ela não tivesse integrado, com João Paulo II e Ronald Reagan, o trio que derrubou o muro e fez o mundo dar um salto de qualidade e crescimento econômico.
Agora, os jornais noticiaram – discretamente, claro – que o ex-presidente republicano americano George W. Bush lançou seu livro de memórias, já com mais de um milhão e meio de exemplares vendidos. Certamente não despertará nenhum interesse em nossas editoras, que preferiram, recentemente, nos encher de publicações sobre o atual presidente Barak Obama, que, apesar de tanta badalação, já anda mal nos últimos testes eleitorais e sondagens de opinião.
Este ano marcou o centenário de Miguel Reale, um dos mais notáveis brasileiros de nossos tempos, lembrado praticamente apenas na Academia Brasileira de Letras, da qual foi integrante. Nenhuma biografia, nenhuma lembrança de sua atuação política. Este, quando de sua morte, teve os obituários publicados, citando suas duas passagens pela Secretaria do Interior e Justiça do Estado de São Paulo, omitindo ter sido em dois dos governos de Adhemar de Barros. Sua passagem pelo Integralismo foi citada “em passant”, quando o mesmo tinha orgulho de haver presidido a “Câmara dos Quarenta”, tendo sido, com Raimundo Padilha e Gustavo Barroso, um dos grandes nomes do movimento criado por Plínio Salgado. Aliás, este é outro “esquecido”, apesar da importância intelectual e política que teve desde a Semana da Arte Moderna, em 1922, até sua morte, em 1971, como deputado federal.
Uma pena que o leitor interessado em biografias, em história, fique tão limitado pelo controle totalitário de esquerdistas, de um lado, e pusilânimes, do outro.
|