A teoria e a verdade andam muito distante da realidade no Brasil. A esperada licença para as obras de Belo Monte, fundamental para a credibilidade do país e a garantia de que haverá energia para suportar o crescimento e que existe vontade política para cumprir compromissos, foi anunciada. No entanto, com tais exigências, se custa a crer na sua viabilidade. A questão dos 100% de água encanada e tratada e esgoto, nas cidades de Altamira e Vitória do Xingu, parece brincadeira. Que fossem exigidos investimentos no saneamento das duas cidades, muito bem, mas 100% já é utopia ou má-fé. Os custos foram desnecessariamente onerados e o tamanho do depósito de água afeta a produção média daquela que poderia ser uma hidroelétrica de referência, como no projeto inicial. Mas, nem com toda a criatividade do setor elétrico na elaboração do projeto, a obra deixa de despertar suspeitas restrições.
Assim vamos, vendo semana após semana a questão dos aeroportos ser debatida, projetos anunciados, mas sem nada sair do papel. Considerando a Copa de 14, os prazos são improrrogáveis e os compromissos são sérios, perante entidade internacional, que pode ameaçar a nossa credibilidade para sediar eventos desse porte. O fracasso passa pela questão ambiental tratada de maneira leviana e exacerbada. Enquanto isso, o Ministério Público continua despreparado tecnicamente para opinar sobre questões complexas como os projetos de obras públicas. A maioria dos embargos parece ter mais objetivos políticos do que objetivar defender o interesse público.
No campo das reformas reclamadas na questão trabalhista e tributária, fundamentais para a decisão do investidor internacional, nada é feito, apesar das Medidas Provisórias continuarem a chegar ao Congresso para o trato de temas sem urgência. E, muitas vezes, sem importância.
Há uns dez dias, o influente Financial Times duvidou da longevidade da bonança no Brasil. Muitos analistas acham que temos pontos a serem esclarecidos no que toca aos gastos públicos, a qualidade de nossas exportações, ao câmbio, aos juros, ao colapso na infraestrutura. Precisamos cair na real.
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