O POVO NÃO É BOBO

O POVO NÃO É BOBO

 HOME ARTIGOS  |  PROGRAMAÇÃO  |  HISTÓRIA  |  LIVROS  |  CONTATO

Programação Rede Vida

 Artigos
     

 

O POVO NÃO É BOBO

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

      

     O Brasil perdeu o mês de maio sem avançar na luta pelo desenvolvimento, pelo controle das contas e, sobretudo, nas reformas que o país pede. E perdeu pela futricaria barata, por jogo de interesses menores, pela especulação envolvendo até mesmo a saúde da presidente.

     Não se trata de defender uma situação no mínimo incomoda ao ministro Antonio Palocci. Mas, sim, o que ele representa na Casa Civil para as forças mais produtivas da sociedade e nossa avaliação externa. Palocci, queiram ou não, foi um bom gestor em sua cidade, um ministro da Fazenda decisivo para a superação das desconfianças que cercaram o início do primeiro mandato do presidente Lula. Logo, ruim com ele, pior sem ele.

    O ex-presidente Lula também deu sua contribuição para a perda do mês, quando o país especulou que ele estava ocupando espaços políticos privativos do Palácio do Planalto, com a crise na Casa Civil e a pneumonia da presidente. Foi pouco sutil, digamos, no socorro à articulação política que estava provocando desgaste na base aliada. O governo errou em duas questões importantes para a opinião pública: no caso do Ministério da Educação, ferindo o pensamento de parcela significativa dos brasileiros pela inabilidade ao conduzir programa, em princípio, positivo. E ao propor o veto à emenda que garante no Código Florestal a pequena e média propriedade produtiva, justamente a que trata da produção de alimentos. A grande propriedade é voltada para a produção de exportação, como soja, cana, algodão, pecuária. O punido com o veto à anistia é o pequeno e médio. O PC do B foi coerente e correto.

    Todos sabem que economia é uma questão de momento e de oportunidade. O Brasil pode perder, mais uma vez, a vez de se firmar. Os juros lá fora começam a subir, o investimento estrangeiro tem deixado o Brasilsetor de energia, especialmente – e as reformas não avançam para garantir condições de atração de novos capitais. Até a China anda apertando o cinto. E se Europa e EUA não vencerem a crise, perdemos mercado e fontes de financiamento. Podemos fechar o ano com grandes perdas nas reservas que hoje nos dão conforto.

     Logo, o momento é de o governo se acertar, mostrar força, não ceder ao leilão de cargos para atender a interesses secundários, melhorar os quadros executivos para obter eficiência e confiança. Não podemos viver em meio a denúncias de corrupção em todas as esferas do executivo. 

    O setor da infraestrutura vai mal. São centenas de obras paradas. A presidente já está preocupada com a questão da Copa de 14, que oferece o risco de um vexame internacional.  São Paulo pode deixar de ser a abertura e até  de sediar um grupo. Fácil se imaginar a repercussão de um fato como este. O tempo passa e os aeroportos cada dia mais congestionados. Nada sai do papel. Não é possível!

    O Judiciário precisa de ajustes urgentes para não colocar em risco as obras da Copa de 14 e, no caso do Rio de Janeiro, das Olimpíadas de 16. Precisa criar câmaras especiais para o trato de questões envolvendo as obras necessárias e com as quais o Brasil se comprometeu junto à FIFA e ao Comitê Olímpico Internacional.

    Menos politicagem e mais trabalho. O clima não pode ser de desânimo, descrença, incerteza. E, por último, mas não menos importante, a democracia, que garante os mandatos que aí estão não pode ser enfraquecida pelo mau desempenho dos políticos. O povo não é bobo.

 

 

Classifique esse artigo clicando nas estrelas

  • Currently 2.5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Classificado como 2.5/5 estrelas (41 Votos no total ate o momento)

 

 

     
  Conheça aqui os livros de
Aristóteles Drummond

 
   
     
 
Todos os direitos reservados para www.aristotelesdrummond.com.br
 HOME  |  ARTIGOS  |  PROGRAMAÇÃO  |  HISTÓRIA  |  LIVROS  |  CONTATO 
SARNEY É INJUSTIÇADO