Esta semana marca os 105 anos do nascimento de Roberto Marinho, figura marcante da vida nacional ao longo do século XX. Jornalista, empresário de visão e homem de coragem cívica, a ele devemos muito o fato de o Brasil, em 64, ter sido salvo do caos ou de uma noite tenebrosa nos descaminhos da esquerda latino-americana – esta, como se sabe, é fraca de ideias e de eficiência, mas pródiga na violência e na ausência de liberdade.
O livro Uma Trajetória Liberal, que José Mário Pereira editou, com prefácio de Franklin de Oliveira e palavras de Roberto Campos e de Austregésilo de Athayde, merece ser lido e consultado por aqueles que conheceram e conviveram com o grande brasileiro e querem permanecer fiéis aos seus ideais de liberdade. Marinho nunca deixou de ser o redator-chefe de seu jornal. E não permitiu que a proteção que dava a profissionais de pensamento diverso do seu usassem o veiculo para deturpar a verdade ou noticiar de modo tendencioso fatos políticos ou administrativos. Defendeu a livre empresa, a propriedade, a ordem, com independência e espírito público.
No livro que deslanchou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, deixa claro que apoiou o movimento de 64 - hoje, denominado de “ditadura militar” e “golpe”, em seus jornais, numa afronta à memória de Roberto, que jamais apoiaria uma ditadura ou golpe, de origem civil ou militar. Aceitou um momento autoritário por o considerá-lo necessário à preservação dos valores democráticos e à paz mo País.
Quando dos 60 anos de seu jornal, em 1985, portanto já na chamada Nova República, lembrou em artigo memorável lembrou as posições assumidas, como a oposição ao governo JK, o apoio aos governos revolucionários. Apontou que o Brasil de Jango Goulart era a quadragésima sexta economia do mundo, e a oitava quando João Figueiredo deixou o governo. E Apoiou ainda a abertura política, a alternância do poder.
Acompanhando de perto a política externa brasileira e sempre defendeu nossas alianças com nações que historicamente estiveram solidárias. Nunca deixou de ser rigoroso com Fidel Castro e apesar de católico disciplinado e leal, combateu a então “teologia da libertação”, mesmo sofrendo intimamente ao criticar posições de D. Helder Câmara, seu amigo e compadre. Tinha imensa e manifesta admiração por João Paulo II.
Tive o privilégio de conhecer e privar com este grande brasileiro e figura humana generosa, numa amizade que herdei de meu pai. Homem íntegro, capaz e solidário, Roberto mantinha um círculo de relações especiais com alguns notáveis de seu tempo, como Roberto Campos, Augusto Frederico Schimidt, D. Eugênio Sales, D. Jaime de Barros Câmara, Francisco Negrão de Lima, Gonzaga Nascimento Silva e Hélio Beltrão – estes dois últimos ministros em mais de um governo militar. Abrigou nas páginas de seu jornal nomes da dimensão de Roberto Campos, Gustavo Corção, Schimidt e Eugenio Gudin, entre outros.
O Brasil precisa recordar a coragem, a maneira de pensar, de enfrentar riscos, de não se deixar intimidar, de homens como Roberto Marinho. É de gente com este estofo que estamos necessitando para a defesa do desenvolvimento econômico, social e, sobretudo, moral. E que os controladores dos órgãos de divulgação – imprensa, rádio, TV – se mirem no exemplo de Roberto Marinho, que, até o final de sua vida, fez prevalecer suas ideias e seus compromissos na orientação de seu consagrado grupo. Reler Uma Trajetória Liberal faz renascer a esperança de um país com uma elite idealista e fundamentada no patriotismo.
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