A vitória de Dilma Rousseff foi também do presidente Lula. Dessa maneira, ele se constitui em fenômeno popular somente comparável a Getúlio Vargas, que, depois de 15 anos de poder, foi deposto e, mesmo assim, fez o sucessor e voltou, em 50, nos braços do povo. Mas outra grande força teve a candidata do PT e partidos de esquerda que não deve ser esquecida. Foi o seu opositor, que não conseguiu em nenhum momento – talvez nos primeiros dias da fase do segundo turno – empolgar, unir e convencer seus aliados. Prevaleceu a arrogância, a postura de homem difícil, cheio de idiossincrasias. Parece agora muito claro que a candidatura Aécio Neves poderia ter feito o Brasil entrar numa nova fase, com uma nova geração.
Também influiu no resultado a falta de definição do candidato de oposição quanto às propostas para seu eleitorado natural, que incluiria os empresários, pequenos e médios. Especialmente os que pagam impostos, gastam muito para manter a burocracia que o fisco lhes exige. A questão trabalhista e o estímulo para que o detentor de capital invista na produção, e não na especulação, foram temas deixados de lado. Serra não quis falar nestes assuntos por manter, no fundo da alma, os sentimentos do jovem presidente da UNE, nos anos 60, no companheiro de jornada dos auxiliares de Carlos Marighela e outros. Sua praia, como se diz popularmente, nunca foi a do entendimento positivo em relação à função social da livre iniciativa no mundo moderno.
Sem candidato definido, o empreendedor, o defensor do desenvolvimento, do crescimento com responsabilidade, preferiu o certo ao duvidoso. Ninguém sabe quem teria influência num eventual governo Serra, enquanto Dilma nos oferecia o respaldo de Antônio Palocci, que marcou tão positivamente sua passagem pela área econômica do governo Lula. Foi ele, com Henrique Meirelles, que apagou as desconfianças naturais em relação a um governo de origem sindical e que era alvo das mais negativas e desonestas especulações. Dilma já disse a que veio. Vai tocar o PAC e manter a sociedade pacificada, sem temas polêmicos que não estejam ligados à consolidação de uma boa fase na economia.
E, pelo susto que levou com a revelação do comportamento de uma auxiliar despreparada e entregue aos sonhos de consumo da família, certamente será mais cuidadosa na escolha de assessores e, principalmente, mais atenta ao comportamento ético dos mesmos. Também sabe que os riscos da economia estão nos gastos públicos, no custeio da máquina, mal de que padecem todas as economias em crise pelo mundo. Terá de controlar a máquina pública e exigir mais eficiência e mais trabalho. Nos últimos anos, os servidores públicos têm se revelado pelas greves, cujos dias parados jamais foram descontados. Tem de mostrar autoridade, e logo nos primeiros dias.
O governo da continuidade com aperfeiçoamento tem tudo para dar certo, contidos os “companheiros de armas”, que só pensam em revanchismos e ganhos às custas do Erário. A base aliada é grande, mas também majoritariamente conservadora. Isso ajudará a dar equilíbrio ao governo.
Sejamos otimistas, mas que fique a lição para os que impediram que o Brasil tivesse outra solução na sucessão do presidente Lula. Daqui para a frente, assumem os mais jovens como o vitorioso Aécio, o seu sucessor Anastásia, o competente Sérgio Cabral, o seu vice, Pezão, e Geraldo Alkmin. Vamos acreditar!
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