O Brasil é, sem dúvida alguma, um país sem educação na sua expressão mais abrangente. E, apesar de uma pequena elite saber que o desenvolvimento passa por um ensino moderno, eficiente, pragmático, com base na ética e na moral, na disciplina e no mérito, nada de concreto vem sendo feito. Uma ou outra experiência, algumas públicas, como os CEFETS – sonho de um educador dos velhos e bons tempos, Celso Suckow da Fonseca, que o governo Lula vem tornando realidade – a laboratórios de excelência internacional, como a escola que o SENAC Nacional mantém no Rio de Janeiro, a experiência admirável da Fundação Bradesco, Fundação Osório e outras tantas são singulares.. Nada disso chega a 1% do sistema nacional.
O ensino é de péssima qualidade porque os professores não possuem preparo, ganham pouco, mas até que muito pelos resultados obtidos, que não são piores por sobreviver na classe um grupo respeitável de homens e mulheres idealistas. O magistério deixou de ser uma vocação nobre, respeitada, na medida em que o poder público não os respeita por pagar mal e os alunos são indisciplinados pela falta de autoridade que se confunde com ganhos democráticos. Escolas mal conservadas, algumas sem banheiros, informatização implantada com lentidão e sem treinamento. E, por fim, e não menos importante, sindicatos de professores que priorizam greves, proselitismo político e até ensino fraudulento por inspiração ideológica. Em pleno século XXI, nosso professorado está na vanguarda do estalinismo.
A questão da violência chegou às salas de aula, com alunos que agridem professores e permanecem no convívio escolar. Os diretores de escolas ou não têm autonomia para expulsar um mau elemento ou falta coragem para fazê-lo, por trabalhar em áreas de risco.
As faculdades privadas, que representam quase 80% das vagas, estão em crise financeira pela inadimplência, que não raro obtém guarita em juizados ou mesmo no Ministério Público. Aluno que não paga e recorre a Justiça, deveria ter como resposta o pagamento da anuidade pelo poder público local e não jogar o prejuízo no educador privado.
A falta de educação é também no sentido de que nossas rádios estão divulgando músicas com conceitos e palavras de baixo nível, que afrontam os bons costumes, numa afirmação equivocada de que não temos mais os militares controlando a moral nos programas de rádio e TV. Por isso, cresce nas famílias o sentimento de nostalgia dos tempos em que havia uma censura saudável, na defesa da educação, dos bons costumes, embora por vezes a mesma atingisse o direito de opinião. Mas quem pensa que inibir a oposição de ter acesso ao rádio e à TV foi criação dos militares é por ignorar que nos governos de JK e Jango, ambos democráticos, Carlos Lacerda, Helio Fernandes, Amaral Neto e Raimundo Padilha, entre outros, também não podiam participar de programas. E, nestes governos, havia censura moral, por faixa etária no caso do cinema e horário de exibição na televisão, sendo no governo JK muito bem comandada a operação pelo notável Ascendino Leite.
Temos de tratar da educação no seu sentido mais amplo. Já estamos sem mão-de-obra qualificada tecnicamente para os novos investimentos. Precisamos que estes jovens sejam formados e que tenham compromisso com princípios cívicos, de ordem, respeito e responsabilidade.
Essa omissão, que dá voto até a presidiário não condenado, que procura descobrir defeitos na corajosa ação do governo do Rio em enfrentar a violência que estava destruindo social e economicamente a cidade e o Estado. Não falta quem esteja mais preocupado em noticiar a bala perdida da Polícia do que a dos bandidos, em número maior e sem justificativa, proselitismo pernicioso a ser denunciado como ação de lesa-pátria. Tolerância zero para a ocupação ilegal do solo urbano, das vias urbanas, do comércio que escoa produto de roubos de carga, para as pressões de interesses que tumultuam nosso sistema de transporte com o gritante excesso de coletivos na Zona Sul e centro do Rio é o que clama a sociedade educada ..
O assunto é amplo. E mais importante do que possam imaginar para viabilizar o Brasil como nação séria, respeitada , compatível com um grau de verdadeira aducação e dignidade que já tivemos no passado..
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