Um fato que não pode passar despercebido do eleitor brasileiro é a nossa tradição, desde o Império, de famílias dedicadas à política por gerações e gerações. Ainda é significativo no número de detentores de mandato que dão prosseguimento a esta pratica. E, normalmente, estão sempre entre os melhores. Os envolvidos em escândalos são, na sua grande maioria, novatos e, possivelmente, sem longevidade na carreira.
No Congresso Nacional, destacam-se os que descendem de políticos e os que estão no exercício do quinto, ou mais, mandato parlamentar. Entre os mais antigos: o senador José Sarney;, o deputado Gerson Peres; o líder do PMDB, Henrique Alves, eleito pela primeira vez com 22 anos; o deputado fluminense Simão Sessim; o mineiro José Santana – este com dez mandatos, contando os exercidos na Assembleia mineira, que presidiu. O presidente do PP, senador Francisco Dornelles, está no sexto mandato, cinco de deputado federal, é sobrinho de Tancredo Neves e do senador e governador do Rio Grande do Sul Ernesto Dornelles.
Entre os mais jovens, desde Leonardo Picciani (filho do presidente da Assembleia), do Rio, e Bernardo Ariston, filho do ex-deputado Augusto Ariston, aos mineiros José Fernando, filho de José Aparecido de Oliveira, Paulo Abi-Ackel, do ex-ministro e brilhante parlamentar Ibrahim Abi-Ackel, Rodrigo de Castro, filho de Danilo de Casto. Mais Felipe Maia, potiguar, filho do senador Agripino e neto do deputado e governador Lavoisier e sobrinho do governador e deputado Tarcisio Maia, José Otávio Germano, filho de Otávio Germano, deputado e vice governador gaúcho, uma legenda na política do Sul. A lista é interminável. Sem falar no recordista de mandatos e de gerações no Parlamento que é Bonifácio Andrada e do governador Aécio Neves, que tem pai ex-deputado, e os dois avôs deputados por muitas legislaturas.
No passado republicano, João Pinheiro, o filho Israel e o neto Israel Filho, Bias Fortes ,Bias Fortes Filho, Danuza hoje prefeita de Barbacena, Arthur Bernardes e Arthur Bernardes Filho, Wenceslau Brás e José Brás, Levindo Coelho, Ozanan Coelho e Saulo Coelho. Oscar Dias Correa, Oscar Filho e Gustavo Correa. Também os Tostes, João e depois Lair. Em Pernambuco, os Coelho, de Nilo, senador e governador, a Oswaldo, o irmão, grandes defensores do projeto de irrigação que leva o nome do primeiro. Marco Maciel, esse brasileiro exemplar que dignifica o Senado, é filho do deputado Joaquim Maciel.
Esse apanhado de memória de um veterano repórter serve para mostrar que tradição é um dado positivo na política, por vezes mais confiável que a renovação. Esta, claro, é sempre desejável, mas pode ser através de uma nova geração assumindo o lugar da anterior, com uma formação de defesa dos ideais democráticos desde o berço. A turma que chega pela via dos “movimentos populares” em boa parte tem se revelado muito apressada em logo deixar de ser popular, fazendo da política um instrumento de ganhos pessoais e familiares.
A democracia brasileira vive um momento de transição. Estes dados podem servir de avaliação e de alerta para que a transição seja positiva. E não na direção do apequenamento da vida política, que pode tornar este gigante eternamente o “pais do futuro”. É preciso que não se confunda PIB da economia com a qualidade ética, moral e cultural de uma nação.
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