O Brasil tem obtido bons resultados nos últimos anos. Não se deve tirar o mérito do Governo Lula na melhor distribuição da renda, nos projetos sociais, na contenção dos ímpetos irresponsáveis de alguns setores do governo ou historicamente ligados ao PT. A presença carismática do presidente Lula, inclusive, controla até seus “companheiros”. Mas estamos perdendo muitas oportunidades. Preciosas, considerando o momento que o mundo vive.
Falta velocidade e agilidade em facilitar soluções e derrubar barreiras ao investimento, que é sempre gerador de riquezas e de empregos. Falta vontade política para prestigiar o empreendedor, o investidor. Vivemos absurdos, sendo exemplo banal, o fato de que a alíquota de importação de um veículo elétrico ser de 30%, num país que tem alíquota de 8% para os motores flex. É que, para a Receita Federal, carro elétrico ainda é o usado nos campos de golfe por uns poucos milionários. Por isso a CPFL não aumenta sua frota , que é singular em termos de busca da modernidade e sustentabilidade.
As empresas precisam ser capitalizadas. E lançar ações seria a maneira mais rápida e barata para aumentar o hábito da poupança no país, mas ainda sobrevive o Imposto de Renda sobre ganhos em compra e venda de ações, quando o mesmo já foi pago pela empresa sobre seus lucros e ao acionista sobre os rendimentos, inclusive dividendos. A Bovespa, que deveria liderar movimento neste sentido, nada faz. Muito menos as empresas que querem recorrer ao mercado acionário. Ou seja, todos erram, não apenas o governo.
Antonio de Oliveira Salazar, quando tirou Portugal da insolvência econômica e do caos político,em 1929, impôs a poupança, cortou custos da máquina pública e proclamou que “poupar é prosperar”. Com isso, fez de Portugal, até 74, uma nação de bancos sólidos, um Estado pouco endividado e com uma população com poupança positiva. Com pobreza mas sem miséria.
Hoje, falta ao governo agilidade para resolver essas questões que dependem de vontade política e não de investimentos. Estimular a poupança e melhorar o perfil do crédito através da política de juros diferenciados por parte de bancos e financeiras. Afinal, os juros são altos pelo índice de inadimplência e da dificuldade da cobrança em muitos casos. Sobrevive no Brasil o que Roberto Campos denominava de “cultura do calote”. Tudo para o mau pagador; nada para o contribuinte e devedor sério e correto.
Urge mudanças na legislação ambiental, diminuindo o número de agentes capazes de interditar projetos. Precisamos de energia, estradas, portos e paz no campo. Atualmente, com a confusão ambiental, existe o receio, a preocupação e o desestímulo de novos empreendedores. É preciso fixar uma legislação clara, definida e de bom senso. E rapidamente, pois precisamos de obras e também de créditos ambientais, que dependem de energia limpa, por exemplo. Belo Monte não anda, o trem-bala depende de licenciamento urgente, o aproveitamento do Tapajós está parado.
O experiente e sempre talentoso Delfim Netto alertou para os gastos públicos sem receitas permanentes, o que torna nossas contas pouco confiáveis no médio e longo prazo. Os governos irresponsáveis da União Européia que detonaram a atual crise já acordaram para a realidade. Precisamos de alguns anos de muito juízo, estímulo à poupança e ao investimento, austeridade nos gastos e competência na gestão.
Aliás, partiu do próprio setor público, via PREVI, o movimento de credenciamento de conselheiros de empresas nas quais é acionista pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa,IBGC, o que já ocorre em grandes empresas privadas nacionais. Talvez fosse o momento de se lançar as bases de um programa de gestão de escalões públicos intermediários pela via do credenciamento, para garantia de boa gestão e desta maneira conter a entrega de postos administrativos a ativistas políticos , geralmente despreparados.
A população já acordou para a importância da boa gestão. Esta, diga-se, teve início, no âmbito estadual, há sete anos e meio, em Minas, com o famoso “choque de gestão”, promovido pelo governador Aécio Neves e executado pelo seu então secretário e depois vice-governador Antonio Augusto Anastasia.
Não existe solução para a crise mundial sem aperto e melhoria de gestão. O “poupar é prosperar” está mais atual do que nunca! |