O Reino Unido tem dado provas de compromisso com a democracia através da história. Aliás, o regime do povo pelo povo teve sua melhor definição no século passado por Winston Churchill, que o denominou de “o pior de todos, salvo os demais implantados até agora”.
Democracia é um regime associado à liberdade de expressão, de empreender, do respeito à propriedade, ao pluralismo religioso e ideológico. Mas é, sobretudo, no cumprimento das leis. E estas garantem os valores democráticos, nos quais se inclui o respeito aos símbolos nacionais e à ordem. Londres é referência mundial nas passeatas organizadas, garantidas por policiamento e sem prejudicar a vida da cidade. Tudo pode ser feito e dito, mas em ordem e respeito ao próximo. E, quando partem para a baderna, a Polícia sabe agir dentro de sua missão.
Nesse Brasil em que vivemos, a democracia é violentada. Basta ver a tolerância com a desordem, com a ocupação de espaços públicos – inclusive, universidades – por baderneiros que impõem prejuízos materiais de monta e ficam na impunidade.
Nos últimos governos, tivemos exemplos de fraqueza e cumplicidade pela omissão do poder público realmente lamentáveis. Primeiro, a invasão e ocupação, com saque inclusive, de propriedade parcial do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Ninguém foi preso e processado, segundo se sabe. O noticiário sobre o crime foi farto, documentado em fotos e filmes. O Brasil inteiro viu baderneiros (ou bandidos?) no sofá da fazenda do presidente, tomando bebidas da casa e os armários com roupas da primeira-dama remexidos. Inacreditável! E, como esta, centenas de invasões com saques filmados foram ignorados, até pelo sempre atento Ministério Público.
No governo passado, o Congresso Nacional teve sua sede depredada em atos de violência e vandalismo sem precedentes. Nada foi apurado, nenhum inquérito identificou os marginais que a imprensa nomeou e mostrou. Um deles foi até convidado, meses depois, para ato solene no Palácio do Planalto. E novas invasões de propriedades e ocupações de repartições públicas – até um gabinete ministerial – ficaram por isso mesmo. Tudo exibido à população perplexa pela televisão.
Há cerca de dez dias, na Inglaterra, o jovem Charlie Gilmour, filho do guitarrista de sucesso do conjunto Pink Floyd, foi condenado a 16 meses de cadeia por ter atirado uma lata de lixo no carro da segurança do Príncipe Charles. E, na mesma manifestação, usou de maneira desrespeitosa a bandeira britânica em monumento a heróis de guerra. Isto é que é democracia e Justiça como deve ser.
A temporada de greves vem aí. O povo será prejudicado e a democracia é pelo povo, segundo se presume. Vamos continuar a agredir dessa forma a democracia, incentivando a violência, o desrespeito à propriedade, à lei e às autoridades? Até quando? E com que objetivo?
Como se pode levar a sério um país que chega a confraternizar com baderneiros? |