TEMPORADA DE FUTRICARIA

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Uma pena que o processo eleitoral brasileiro transcorra em meio a tantas práticas que desgastam a beleza de um ato democrático. Não bastasse a disputa se dar entre candidatos com o mesmo pensamento filosófico e ideológico, deixando na orfandade os liberais e conservadores, que, queiram ou não, formam um segmento expressivo do eleitorado.

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TEMPORADA DE FUTRICARIA

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

        Uma pena que o processo eleitoral brasileiro transcorra em meio a tantas práticas que desgastam a beleza de um ato democrático. Não bastasse a disputa se dar entre candidatos com o mesmo pensamento filosófico e ideológico, deixando na orfandade os liberais e conservadores, que, queiram ou não, formam um segmento expressivo do eleitorado.

        Essa onda de acusações são repetidas a cada pleito, sempre na direção dos interesses de quem as divulga. No caso da quebra de sigilo, a própria revista Veja publicou, há anos, matéria que colocava sob suspeição um dos violados, por compra de notas frias e “mágica” na compra de um imóvel de luxo e no aluguel de outro. Agora nem uma linha. Ainda se fala em quebra de sigilo, mas as informações não aparecem. E se os violados nada devem ao fisco ou à sociedade e não existem fatos estranhos em suas declarações, deveriam logo divulgar as declarações, pois vida pública implica em transparência.

      A eleição também peca pela aplicação com inédita retroatividade da chamada “ficha limpa”, elogiável, mas que não justifica a agressão à cultura e à tradição jurídica do Brasil. Tem caso de político que foi punido pela legislação anterior e agora pode sofrer nova punição, pelo mesmo motivo. Não é bem assim que se constrói uma democracia. Deve ser daqui para frente, como deveria ter sido na aprovação da reeleição, que foi casuística e cercada de suspeições. Teve até deputado cassado por venda de voto e não se sabe até hoje quem comprou e com que dinheiro.

     A paixão e a manipulação, a chamada transferência de votos, podem provocar distorções de alto custo, como no caso mineiro. O eleitor votar em Dilma para atender ao presidente Lula, que ele acredita estar fazendo um bom governo, é valido. Mas, pelo mesmo motivo, jogar fora uma experiência vitoriosa e reconhecida de oito anos de Aécio-Anastasia é, no mínimo, uma temeridade. O prefeito de Belo Horizonte deu a fórmula racional, apoiando Dilma Anastasia, em ato de sabedoria e prudência.

      A vida pública nacional está em crise. Política, moral e jurídica. E isso no mesmo momento em que o país parece entrar na rota do progresso com justiça social. Uma pena se perdermos mais uma oportunidade em mundo tão competitivo. Votar com razão, em quem é sabidamente bom .

     A reforma política terá de ser feita logo no ano que vem. O mundo está atento ao que se passa em nosso país. Não adianta nada crescer na economia, sem bases na ética, na competência e  produtividade. Não é momento de aventuras nem de caricaturas.

 

 

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