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TURISMO ESQUECIDO

Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

  

     Vivemos a temporada alta do turismo brasileiro. São os navios que movimentam os portos e fazem a festa nas cidades em que param, como Angra, Paraty, Salvador, Rio, Santos e outros pontos de interesse. São os eventos como o reveillon de Copacabana, o carnaval no Rio e no Nordeste, nas praias. O sol para dar um alívio a quem vive no hemisfério norte e sofre com as baixas temperaturas e seus transtornos naturais.

    É tempo de se repetir o que todos sabem – mas nada é feito. Por exemplo: nossa estrutura hoteleira é insuficiente; nossa mão de obra, fraca; parte da força de trabalho no setor se constitui de estrangeiros; a programação cultural, muito concentrada; falta eventos de música e dança e investimentos no setor imobiliário que fideliza o turista com incentivos. Na Europa, são muitos os países em que o imóvel adquirido por estrangeiro para uso pessoal fica dez anos isento do IPTU.

     O que temos devemos ao empreendedor, já que há uma total falta de políticas públicas. Bonito, na porta do Pantanal, tem aeroporto privado e uma rede de pousadas de porte médio. Mas, dentro do Pantanal, pouca presença de infraestrutura. Os aeroportos, estes nem se precisa falar. A liberação de passageiros que partem ou chegam em Guarulhos ou no Galeão é motivo para o turista nunca mais voltar. Os táxis não são controlados. A Aeronáutica foi afastada do policiamento dos aeroportos e seus entornos.

      O presidente Costa e Silva criou a Embratur e deu incentivos para a construção de grandes hotéis. São os que estão até hoje em Recife, Salvador e Manaus, por exemplo. A promoção internacional inexiste e o mercado americano, o maior do mundo, é simplesmente ignorado. O movimento é todo no sentido inverso. Vamos cada vez a Miami, nessa alegria cambial irresponsável.

      Os nossos preços não andam atrativos, e não apenas pelo câmbio. Temos uma restauração e hospedagem mais cara que outros bons destinos internacionais. E o mercado está cheio de novidades atrativas e dando exemplo de como se faz turismo, se gera empregos e se divulga uma cultura. Dubai, Turquia e Marrocos são novos destinos dos brasileiros.

       O setor aéreo está dominado pelo radicalismo sindical. Vivem em greves ou em “operação tartaruga” – seja entre controladores civis seja entre aeronautas e aeroviários. Aliás, foi este sindicalismo que matou a VASP e a VARIG. As empresas estão acuadas e seu sindicato patronal omisso diante das culpas que não podem ser debitadas às empresas.

       Muito poderia ser feito. E quase foi feito no governo Lula no tempo do ministro Mares Guia, empresário competente que se dedicou ao assunto. Depois, a coisa entrou na rotina da burocracia e das viagens oficiais. Não convidamos jornalistas estrangeiros, agentes de viagens nem acertamos promoções conjuntas com transportadores. A Argentina, menor, mais longe e com menos atrativos, recebe mais gente do que nós, se excluirmos movimento entre os dois países. E a pergunta que não quer calar é: Até quando?

 

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