A ideia de uma Constituinte a ser eleita ano que vem, como foi o Congresso de 1986, não é para ser colocada de lado. O presidente tem razão quando fala na urgência das reformas, como a política e a tributária. Realmente precisamos saber o país que queremos. Aliás, o mundo também quer saber.
O Brasil, como está, serve para tudo. Tem uma economia sólida, um regime democrático consolidado, um mercado interno em crescimento e uma produção ocupando espaços ociosos, além de boas reservas cambiais. Fica com o problema da segurança pública e certa complacência com a violência no campo promovida pelo MST e outros movimentos fora da lei. No final, um saldo positivo para um governo que tem popularidade e um presidente que encanta o mundo.
Apesar disso, serve também para assustar analistas que conhecem o gasto público, o nível de corrupção, uma política externa voltada para o que existe de pior no mundo, e com reflexos constrangedores, como o caso do abrigo ao terrorista italiano, criminoso condenado por uma democracia da União Europeia. Isso sem contar as trapalhadas hondurenhas...
Logo, o pleito do próximo ano servirá para definir rumos – embora a simples escolha do PSDB de seu candidato indicará se queremos um Brasil novo, com uma nova geração, ou carregaremos nomes desgastados, marcados pelo passado que não une o país. Mas o que sairá das urnas, em 2010, pode ter poderes constituintes para definições e avaliações que orientarão investidores de fora e de dentro. E ainda tirar da sociedade estas dúvidas que angustiam os homens sérios.
O Brasil precisa realmente mostrar o que quer e o que pensa. O quadro é confuso, pois até líderes, ou ocupantes de funções de liderança empresarial, surgiram travestidos de socialistas. A essa altura, o cultuado presidente Chávez, da Venezuela, já terá definido melhor seus intentos e a nossa política externa terá tido oportunidade de confirmar ou não o entusiasmo com que defendeu a presença no Mercosul do nosso vizinho mais ao Norte.
Também vamos precisar definir qual o papel do Judiciário, que custa caro e parece não resistir a um pente fino da Receita Federal na maioria de seus membros – que, visivelmente, vivem em padrões muito superiores aos salários auferidos.Ficaram de apressar processos anteriores a 2005 e não cumpriram.E os tribunais superiores volta e meia se metem no transitado e julgado nos estados. Só não vê quem não quer. Ou é covarde o suficiente para não enxergar o que está claro.
O país não suporta mais essa situação de se tapar o sol com a peneira. Pelo andar da carruagem, o achacador apanhado em flagrante conseguirá empurrar as apurações pelo menos até o final de seu mandato. E continuará a gerir contratos de materiais e serviços de preço ou utilidade duvidosos. Uma vergonha nacional!!!
Não adianta se querer atribuir mal comportamento a esse ou aquele partido. A cumplicidade, a impunidade e a cleptomania são generalizadas.
O presidente Lula, até sem saber, teve uma grande e oportuna ideia: poderes constituintes ao Congresso a ser eleito ano que vem. E que o eleitor seja mais responsável, a começar pelos formadores de opinião. Precisamos de gente boa, que anda escassa, mas um bom exame sempre permitirá um voto mais responsável sob o ponto de vista pragmático de quem defende uma economia mais aberta, com menos impostos e mais austeridade.
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