A Europa inventou o regime econômico híbrido, criativo e politicamente correto. Entrou, claro, em crise e sair dela será difícil. Deu mais do que podia e agora, na hora de fazer as correções, os baderneiros habituais fazem a festa.
Nada mais natural do que lembrar, mais uma vez, uma feliz definição de Roberto Campos: no socialismo, as intenções são melhores do que os resultados e, no capitalismo, os resultados são melhores do que as intenções. A presidente Dilma parece imbuída do propósito de fazer realmente um governo que mude o Brasil pela via do desenvolvimento. Está entre os poucos que respeitam o povo e não o adula para obter o aplauso fácil, deixando para os outros a “herança maldita”.
Temos, portanto, de fazer logo a opção do modelo, uma vez que a sociedade está tão tonta, que existem até lideranças empresariais socialistas – o que é admissíveis em qualquer cidadão, inclusive empresários, mas estranho, no mínimo, em quem assume posição de liderança de uma classe. O capitalismo tem sentido social, tem embasamento ético e moral. Lideranças efetivas querem aperfeiçoar e desenvolver o capitalismo e não criar uma relação estranha com o socialismo, que limita o mercado, a propriedade, a liberdade.
As agências reguladoras andam exagerando ao influir nos destinos das empresas que regulam. E estão tendo uma gestão política e, por vezes, ideológica que não faz sentido. Em tese, devem defender o mercado, o consumidor e, principalmente, permitir a pluralidade e o crescimento dos segmentos a que estão vinculadas. Não é o que vem ocorrendo.
O Brasil precisa de investimento. Atrair poupanças para projetos e não para aplicações financeiras. Mas, na contramão desta necessidade, mantém uma malha fiscal complicada e pesada, legislação trabalhista paternalista, transportes e comunicações caras. Na área de transportes, se o governo honrar os prazos das diferentes frentes de obras no setor ferroviário, com atrasos não superiores a seis meses, por exemplo, poderemos ter em dois anos uma grande melhora no escoamento de parte de nossa produção. Basta tocar o que está sendo feito.
Nos aeroportos e na melhoria de estradas, no entanto, tem de abrir para a livre empresa. Até mesmo na energia fornecida a pontos distantes. A Amazônia, por exemplo, deveria contratar empresas locais e pagar o custo do serviço prestado e ficar com receita, que costuma ser insignificante.
O tempo passa e continuamos nessa ambigüidade que gera insegurança. MST para cá, baderna em canteiros de obras para lá... E ainda se espera investimentos! Neste caminhar só terá interessado em investir se o BNDES der dinheiro.
Optar pelo progresso é questão de vontade política. Facilitar empresas na abertura de capital para buscar a poupança popular, isentando o lucro sobre as cotações, alterar a legislação trabalhista pelo menos para os novos empregos a serem gerados, definir uma orientação para as ações que tramitam nos tribunais sobre impostos e taxas, aliviando o Judiciário e definindo custos para as empresas, que ficam dependendo da Justiça para garantir sua saúde financeira. Não custa muito. Basta bom senso.
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